quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ICAPUI- Tensão entre pescadores. BpChoque acaba com o bloqueio nas estradas

TENSÃO ENTRE PESCADORES
BpChoque acaba com o bloqueio em Icapui

Chegada tensa: quando a tropa do BpChoque desembarcou no local, os moradores temeram um conflito

Barricadas desfeitas: pedras, areia e uma motocicleta incendiada eram usadas para bloquear o acesso à Praia da Redonda

Uma tropa formada por 80 militares, enviada pelo Comando-Geral, desobstruiu a estrada fechada há três diasIcapuí Num clima de tensão, constante troca de ameaças e pelo menos três dias com rodovias interditadas, 80 homens do Batalhão de Polícia de Choque (BpChoque), destacados em Fortaleza, estiveram ontem em Icapuí, no Litoral Leste do Estado (a 195Km da Capital) para desobstruir as vias bloqueadas por famílias de pescadores da comunidade de Mutamba e da Praia da Barrinha.Pelo menos, três barricadas de pedras, com até um metro de altura, impediam o trânsito de carros e motos.

Quem tentasse passar tinha o veículo apedrejado ou incendiado. Os pescadores protestam contra a fiscalização por contra própria realizada pelos pescadores artesanais da Praia da Redonda. Eles balearam e tomaram o barco de pescadores que faziam a captura irregular da lagosta.

Batalhão
"Lá vem os homens", gritava um dos manifestantes na rodovia CE-265, que dá acesso ao Centro e praias de Icapuí, ao Município de Aracati e ao Estado do Rio Grande do Norte.

Os "homens" eram os oficiais e praças da Companhia de Controle de Distúrbios Civis (CDC), do Comando Tático Motorizado (Cotam) e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), todos integrantes do BpChoque.

Eles desceram de um ônibus e de viaturas, tomaram lugar na rodovia e seguiram compassadamente, com escudos em punho. Os manifestantes, que estavam nas calçadas, foram para o asfalto.

Alguns seguravam pedras, as mulheres choravam. "Viemos para trabalhar de forma pacífica. Só queremos desobstruir a via pública", acalmou os ânimos o tenente coronel Nascimento, comandante da operação, que teve apoio da companhia da PM em Aracati.

Sem demonstrar intimidação, homens, mulheres e crianças ficavam próximo às pedras usadas para interdição. "Vocês deviam era ir até a Praia da Redonda resgatar os nossos barcos que eles pegaram. Meu marido não tá mais indo pescar com medo de morrer", afirmou Francilene Barros, esposa de um pescador da Barrinha.

O protesto que ocorre desde o fim de semana é realizado pela comunidade em geral, sem lideranças definidas. Para conversar com os policiais, formou-se, de improviso, uma comissão de 15 pessoas.

A reunião com o tenente-coronel Nascimento aconteceu numa casa à margem da rodovia. Segundo ele, "foi acordado que não vão mais obstruir a via". Mas, nem mesmo os representantes da comunidade foram tão categóricos."Podem tirar tudo, mas a gente coloca de novo", disse um dos manifestantes.

São centenas de pedras de cal que ficaram acumuladas às margens da rodovia, usadas como barricadas em três pontos de duas estradas que dão acesso às praias, inclusive à comunidade de Redonda.

"Se vier um ´redondeiro´ aqui, volta só as cinzas", afirmou um pescador. A ira da comunidade contra os pescadores da Praia da Redonda se dá porque estes, que fazem a pesca artesanal com manzuás (único instrumento permitido pelo Ibama), fiscalizam e capturam por conta própria, com armas e encapuzados, os barcos irregulares.

Por MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER

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