segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Ladrão de Almas (por Fabson Victor)

Na verdade, nunca pude enxergá-lo, mas lembro do dia em que ele se apresentou a mim, eu deveria ter meus oito anos de idade. A dor não me permitia olhar para trás, todas as noites durante meses ele roubou de mim, a minha alma.

Eu deitava-me na esperança de que naquele dia conseguiria dormir, mas sempre ouvia a porta bater e já sabia que outra vez perderia minha alma por algumas horas, então fechava os olhos fortemente e dizia para mim mesmo que teria que aguentar, mas até quando eu aguentaria? Arquejava-me em dores e derramava-me em lágrimas, mantendo-me sempre calado, já que eu não podia falar. CONTINUE LENDO
Vez outra, eu ficava em casa só e corria para trancar a porta assim que meus pais e irmãos saiam, mas sempre o avistava olhando pelas venezianas da janela de sua casa. Forte, moreno, cabelos lisos, olhos escuros e marcantes até mais do que demonstrava ao sorrir para minha mãe que acenava para ele quando estava saindo.

Eu me mantinha calado, eu fugia de mim mesmo, escondia e sempre que me perguntavam o que estava acontecendo, apenas respondia: estou pensativo hoje. Ontem, hoje, amanhã e até quando eu for roubado por inteiro. Não sei se havia saída, só sei que já estava acostumado com aquela situação, e, como não se acostumar? Eu era apenas uma criança, não tinha jeito e nem sabia como dizer, por onde começar e assim foi acontecendo. É como se o mundo dissesse NÃO para mim e eu aceitasse todas as regras de que a vida me impõe, eu apenas teria que viver aquilo esperando chegar o fim.

Outro dia eu não aguentei e me entreguei de verdade, deixei aquele mostro fazer do meu corpo a sua casa de prazer e apanhei. Machuquei-me ao tomar uma dose forte daquela loucura que aos poucos eu passava a gostar, mas não esqueço e nem posso esquecer, ele roubou minha inocência, meu ato de sorrir facilmente. Hoje ele rouba de outras pessoas o mesmo que tirou de mim, roubou a minha calma aquele ladrão de alma que ainda estar por ai, fazendo outros viver a mesma história com medo de falar e esperando chegar o fim, já o meu, termino aqui.


(Fabson Victor)
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