quarta-feira, 16 de julho de 2014

A importância dos Brics no Ceará.

por Hélio Leitão opiniao@opovo.com.br
"Consolida a vocação de polo de atração de grandes eventos, importante vetor da economia local"

Nos dias 14 e 15 (julho), o Ceará será o palco da VI Cúpula dos Brics. Para aqui acorrerão os senhores Vladimir Putin (Federação Russa), Narendra Modi (República da Ìndia), Xi Jinping (República Popular da China) e Jacob Zuma(República da África do Sul), presidentes e chefes de estado dos países que formam o acrônimo, mais cerca de quatro mil pessoas, entre membros de delegações, empresários e jornalistas de todo o planeta, o que já dá pistas sobre a dimensão e importância do evento para a geopolítica mundial. Não é para menos. LEIA MAIS
Essa articulação política e econômica sob a sigla Brics é o reflexo nas relações internacionais de um novo mundo que desponta no horizonte, em que as economias desses países emergentes lançam as bases de uma nova ordem mundial, pautada pelo multilateralismo, superando definitivamente a era da unipolaridade, quando a potência estadunidense impunha modelos econômicos e políticos, ditando regras, estilos e até mesmo um incerto american way of life. Somadas, as economias dos países Brics correspondem a 41,6 % da população mundial (quase metade dos seres humanos sobre a superfície da terra), com participação de 16,1 % das importações e 17,7 % das exportações mundiais. São gigantes econômicos e populacionais. 

Essa articulação política e econômica, que em larga medida se processa ainda no campo da informalidade, sem uma institucionalidade com contornos claramente definidos, ganhará aqui mais força e nitidez quando do possível anúncio da constituição do Banco de Desenvolvimento e do Fundo Contingente de Reserva, passos fundamentais para a construção do arcabouço institucional e econômico-financeiro dos Brics.

Nessa versão, a Cúpula será encerrada em Brasília, no dia 16, quando se promoverá o encontro dos líderes dos Brics com os presidentes dos países da América do Sul, numa importante sinalização de parte da presidente Dilma Roussef no sentido de que o Brasil, a despeito de articular-se com as maiores potências do globo, não volta as costas para os históricos parceiros da América do Sul, reafirmando os laços de solidariedade continental.

Para o nosso estado, escolhido para sediar a Cúpula por decisão pessoal de nossa presidente, em razão dos padrões de excelência do nosso Centro de Eventos, obra do governo Cid Gomes, os ganhos são evidentes. Consolida a nossa vocação de polo de atração de grandes eventos, importante vetor da economia local, assim como teremos a oportunidade (trabalho que já começou) de apresentar a empresários e agentes governamentais as potencialidades econômicas e turísticas de nossa terra. Os olhos do mundo se voltarão, nesses dois dias, para a Terra da Luz, colocando a Fortaleza dos verdes mares mais uma vez no centro dos acontecimentos. É inevitável a sensação de que estamos fazendo história.

Hélio Leitão

Assessor para assuntos internacionais do Governo do Estado do Ceará

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