quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Prefeito é preso acusado de pagar vereadores em troca de apoio político

Dinheiro usado era desviado de contratos de merenda escolar, de medicamentos e de obras da prefeitura. Oito vereadores também foram presos. Cenas de corrupção explícita: um prefeito afastado, oito vereadores presos. Que cidade é essa? O repórter Eduardo Faustini do programa Fantástico da Rede Globo foi até lá perguntar: cadê o dinheiro que estava aqui? LEIA MAIS E FIQUE HORRORIZADO
“Desviar dinheiro da prefeitura, depois que a gente se acostuma com isso aqui, é um vício. Não pensa nos estudantes, nas crianças que estão sem merenda. Pensa só no dia seguinte para poder tirar o dinheiro. O que tiver a gente tira tudo, não deixa nada”, diz um empresário que ajudou uma quadrilha a desviar milhões de reais da prefeitura de Joaquim Gomes, no interior de Alagoas.

O EMPRESARIO só deu entrevista sob a condição de não ter a identidade divulgada, porque se diz ameaçado pelos bandidos.
O Empresário: declarou ao jornalista que; Anda armado, O dinheiro era desviado das Secretarias da Administração, da Saúde, da Ação Social e da Educação. Ou seja, dinheiro da merenda escolar, dos medicamentos, das obras de que a cidade tanto precisa. Depois de um ano cometendo falcatruas, ele resolveu denunciar tudo ao Ministério Público e contar tudo ao repórter Eduardo Faustini.

Eduardo Faustini pergunta: Cadê o dinheiro que estava aqui?
Empresário responde: Uma parte está com a gente, e a outra está no bolso do prefeito.

Depois das denúncias do empresário, as investigações levaram a cenas com prisão na Câmara dos Vereadores de Joaquim Gomes, em 8 de outubro deste ano. É uma quarta-feira, e os vereadores estão em sessão ordinária. Policiais começam a cercar a câmara. A movimentação atrai a população. Ninguém sabe o que vai acontecer, principalmente os vereadores.

No meio do discurso de um dos vereadores, o delegado que comanda a operação entra no plenário. “Eu queria falar com o presidente”, pede. Um vereador faz sinal de positivo para a câmera, como se estivesse tudo bem. Só que oito vereadores recebem voz de prisão. Inclusive ele, que não perde o otimismo ao ser conduzido pela polícia, o próprio presidente da casa e ainda o vereador que estava discursando. Todo mundo em cana. Dos 11 vereadores de Joaquim Gomes, só três não foram presos.

E a população não perdoa. “Ladrão! Ladrão”, gritam moradores.
A operação da Polícia Civil e do Ministério Público recebeu o nome de ‘mensalinho’, inspirada no famoso escândalo do mensalão. Por que ‘mensalinho’? Porque o prefeito comprou apoio político, pagando a um grupo de vereadores em dinheiro vivo, como mostraram imagens gravadas dentro de um carro. Quem paga é o então prefeito, Toinho Batista, do PSDB.

O Repórter perguntou ao promotor; “Qual era a razão daqueles pagamentos?
O promotor Carlos David Correia Lima responde; “Garantir apoio político ao prefeito afastado”. Garantir que, na Câmara dos Vereadores, não fosse instaurado nenhum procedimento fiscalizatório, que as matérias de interesse do seu governo à época fossem aprovadas com a maior serenidade possível.
Mas por que o então prefeito gravou a entrega da propina? Quem explica é a vice-prefeita de Joaquim Gomes, que assumiu a prefeitura depois do afastamento de Toinho Batista.

Além dos oito vereadores, o esquema envolvia um secretário municipal e empresas, algumas de fachada.

O repórter Eduardo Faustini localizou o dono de uma das empresas que passaram milhões de reais em notas fiscais falsas para a prefeitura, as chamadas notas frias. A nota fria foi usada pra que o então prefeito e alguns secretários fingissem que compraram um bem ou pagaram por um serviço para a cidade. Eles recebiam a nota e depositavam o valor na conta da empresa. O dono da empresa sacava o dinheiro, pegava uma comissão e dava o resto para o prefeito.

“Você já viu um corruptor ter pena de alguém? Pois é, aqui você também não vai ver. Mesmo assim, o depoimento desse homem é chocante. E o Empresário confessa  que “Não, a gente fica preocupado, não. A gente fica preocupado só em tirar o dinheiro. Mesmo sabendo que as pessoas tão morrendo nos hospitais por falta de remédio. Não, a gente não se preocupa com isso, não. Preocupa somente em tirar o dinheiro.

O empresário ainda revelou que sua empresa mais outras juntas desviaram uns R$ 3 milhões.

Antes desse escândalo, o então prefeito Toinho Batista já respondia a um processo por desvio de dinheiro da saúde. Foi condenado, mas recorreu ao Superior Tribunal de Justiça. Esse caso ainda não foi julgado. Agora, o ex-prefeito e o resto da quadrilha vão responder por associação criminosa, corrupção ativa e passiva e outros crimes. O empresário também vai responder na Justiça.

Além de Toinho, os oito vereadores presos foram afastados. No lugar deles, assumiram suplentes. O Fantástico procurou os vereadores e o prefeito afastados para que eles se explicassem, mas não recebeu resposta.


O promotor disse ao fantástico que “o município de Joaquim Gomes é o símbolo da corrupção. Uma cidade esquecida pela má vontade dos gestores, dos políticos que insistem em tratar o patrimônio público como extensão dos seus quintais”, Agora a gente quer saber: senhor Toinho Batista, senhor empresário, senhores vereadores presos: cadê o dinheiro que estava aqui?

Para assistir essa matéria completa em vídeo, basta acessar o link abaixo que será redirecionado para a página da Rede Globo: 

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/11/prefeito-e-preso-acusado-de-pagar-vereadores-em-troca-de-apoio-politico.html 

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