segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Mulheres denunciam escala da polícia no Ceará: 'sozinha com 20, 30 presos'

Reprodução: TV Verdes Mares
Policiais civis afirmam que nunca investigaram crimes devido a lotações. Delegacias enfrentam lotação de presos que deveriam estar em presídios. Inspetoras recém-empossadas na Polícia Civil do Ceará afirmam que nunca realizaram um serviço de investigação e têm como atribuição vigiar presos, tarefa que deveria ser cumprida por agentes penitenciários.

"Na nossa rotina a gente tem que receber toda a alimentação dos presos, nós recebemos ameaça dos presos. Eles conhecem totalmente a escala. Eles sabem quem é que está de plantão. Muitas vezes a gente trabalha dias seguidos, cansado, e os presos sabem disso, sabem da oportunidade da fuga, de um motim ou de um resgate", diz uma policial civil, que prefere não se identificar.

Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol), várias mulheres cumprem plantão sozinhas na delegacia. O Diretor do Sinpol, Francisco Lucas, afirma que o grupo elabora um documento com as reclamações que será entregue ao Governo do Estado.

"O que a gente está tentando prevenir é que, em uma fuga, uma mulher se torne vítima de um abuso que seria vexatório por demais não só para a Polícia Civil, mas também para o Governo do Estado", diz Francisco Lucas.

"A custódia de preso não é da Polícia Civil e ainda assim, é um erro de administração deixar uma mulher sozinha encarregada de cuidar às vezes de 20, 30 homens. Isso é um absurdo", completa o diretor do sindicato.

No 24º Distrito Policial, 15 presos dividem duas celas com capacidade para oito. Segundo os policiais, alguns dos presos já estão na delegacia há mais de um ano sem nunca ter passado por uma audiência.

O Sindicato da Polícia Civil afirma que o 24º registra fugas com frequência; a mais recente ocorreu em 21 de outubro. Após a fuga, a unidade recebeu um sistema de monitoramento de câmera. Um policial que estava de plantão foi rendido e teve a arma roubada.

"Nós estamos aqui com garra, mas estamos sendo deixados para morrer, abandonados", diz.

A Polícia Civil do Ceará afirma que os policiais escalados optaram por esse serviço, que não é obrigatório.


A Polícia diz ainda que há em andamento um concurso para policiais com 700 vagas para agentes e afirma que ainda que está trabalhando na redução da lotação das delegacias.

Fonte: G1.CE

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