terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ex jogador cearense Jardel é afastado do cargo de deputado no RS por suspeita de corrupção

Investigação do Ministério Público deu conta de que o parlamentar está envolvido com vários crimes, dentre eles lavagem de dinheiro e peculato. 
Uma operação do Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul, deflagrada na manhã desta segunda-feira, resultou no afastamento do ex-jogador Mário Jardel do cargo de deputado estadual. Por ordem da Justiça, o político do PSD não poderá exercer suas funções públicas pelo período de 180 dias. Jardel adotou o seguinte esquema criminoso, segundo o MP: ele ordenava que seus assessores pagassem
mensalmente R$ 3 mil de comissão. A descoberta ocorreu após a saída de um colaborador, que repassou informações à Justiça. Para mascarar a atividade, Jardel dizia aos assessores em contatos telefônicos que o dinheiro era para "comprar camisas".

Parte do dinheiro arrecadado era repassado ao irmão e à mãe de Jardel. A Justiça apurou que os assessores do deputado usavam verba pública para fins pessoais, como viagens e aluguel de casa.

Jardel é suspeito de cometer crimes como concussão, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A suspensão de Jardel de suas atividades políticas foi uma alternativa a um pedido de prisão temporária. O parlamentar só poderia ser preso por crime inafiançável.

"Foram falsificadas notas de viagens que não aconteceram. Eles [Jardel e quatro assessores] teriam ficado em hotel em Santana do Livramento, quando na verdade o Jardel ficou em Rivera em outra data", informou o promotor Flávio Duarte.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do parlamentar (na Assembleia Legislativa do Estado). As casas de Jardel, de sua mãe e de seu irmão - além do endereço do Chefe de Gabinete Roger Antônio Foresta e das assessoras fantasmas Ana Bela Menezes Nunes e Flávia Nascimento Feitosa - também foram vasculhadas.

Jardel também é investigado por ligações com um traficante, que seria marido de uma prostituta. Esta trabalhou como assessora fantasma do deputado durante um mês.

Foram apreendidos documentos, duas buchas de cocaína e os celulares de Jardel e da mulher durante as operações da polícia. Segundo as investigações, Jardel seria consumidor de cocaína, droga comprada diretamente com este traficante. "Ele era usuário de drogas, temos muitas evidências disso. No Brasil o usuário responde como tal", disse o chefe do MP Marcelo Dornelles.

As investigações da operação "Gol Contra" concluíram que existe uma estrutura criminosa instalada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com Jardel como principal beneficiário. O caso foi encaminhado para a corregedoria e comissão de ética, segundo o presidente da Assembleia Legislativa.

"Ele fazia isso de forma permanente e precisávamos cessar este tipo de situação. Por isso a suspensão da função pública. Postulamos perante ao poder judiciário e nós postulamos todas as cautelares e o afastamento temporário", declarou o chefe do MP.

Jardel, de 42 anos, brilhou por Grêmio, Porto, Galatasaray, entre outros clubes. Abandonou a carreira de jogador em 2011 e admitiu publicamente envolvimento com drogas. Foi eleito deputado em 2014 com mais de 40 mil votos.

Em outubro, Jardel teve sua bagagem apreendida ao retornar de Portugal em viagem oficial. Produtos alimentícios foram transportados irregularmente pelo ex-atleta. Queijos, bacalhau e nozes chegaram ao Brasil de forma ilegal e foram apreendidos pelo Ministério da Agricultura.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/ 

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