domingo, 6 de novembro de 2016

Opinião. O Patrimônio público não é de vocês, mas sim de todos.

FOTO DIVULGAÇÃO
DA INTERNET
Uma das primeiras lições que aprendi na política estudantil foi a seguinte: não existem atos, ações, ocupações, invasões, passeatas e manifestações nessa área que não tenha uma condução política partidária ou, no mínimo, um grupo organizado controlado por partidos, geralmente de esquerda.

A série de invasões e ocupações de escolas e agora universidades, não tenham dúvidas, é uma ação organizada pelos partidos e grupos políticos que viveram os últimos 13 anos a reboque do PT. Portanto, também não duvidem, é o próprio PT e adjacências que hegemonizam esses movimentos. Da primeira à última instância, é uma reação de derrotados.

As ações são bem diferentes das famosas jornadas de julho de 2013. Naquele momento, milhões foram às ruas de uma
forma inédita: repudiando partidos. De A a Z. Porém, logo os manifestantes de então se recolheram diante da violência tornada viral pelos black-blocs, esses si, controlados pela área de influência do petismo.

Greve de estudante na UFC. A caracterização “greve de estudante” já é por demais uma licença nada poética. Nos compêndios, greve significa a interrupção do trabalho por parte de trabalhadores assalariados. Certamente, a turma que se dedica à greve na gloriosa UFC vai manter suas mesadas em dia. Está aí uma boa ideia: pais zelosos, uni-vos! Cortem a mesada do filho que não vai à aula!

Sem que seja necessário uma assembleia, há duas maneiras de estudante fazer greve. Uma é matando a aula. A outra é não estudando. O risco bem maior é quando as duas coisas se misturam. Mata a aula e não estuda. Sozinhas ou somadas, as sentenças chegam a um resultado negativo.

Brincadeiras e ironias à parte, li que os operosos estudantes em greve na UFC dizem que a ação é em repúdio à proposta de mudanças no ensino médio e por causa da PEC do teto de gastos. A PEC da Morte ou a PEC do fim do mundo, como já li por aí. Fico a me perguntar: será que já leram o texto da PEC?

E as propostas para o falido ensino médio, os “grevistas” já conheceram a fundo? Desconfio que não. Mas, é o que menos importa, não é mesmo? Conhecer pra quê? Ler, estudar e analisar racionalmente para entrar em um debate sério só serve para legitimar a proposta espúria que partiu do governo golpista. Fora Temer! Vade retro, facistas!

Um déjà vu danado. Já vi de tudo no movimento estudantil. Inclua-se na lista eleições fraudadas para o DCE, namoros arranjados para controlar lideranças, desvio de dinheiro das entidades, manobras a mil, mentiras descaradas... Quando me perguntam acerca desse tempo, me saio com essa: o movimento estudantil foi uma ótima escola para aprender o que não se deve fazer.

As esquerdas mergulharam o Brasil numa brutal recessão, encabeçaram o maior escândalo de corrupção de nossa história, estão vendo seus maiores líderes engaiolados, denunciados, réus ou derrotados nas urnas. Agora, lideram um monte de adolescentes numa revolta contra uma PEC e uma reforma do ensino. Ora, ora.

Caros estudantes, não se deixem manobrar. Pensem com suas próprias cabeças. Jovem tem que ser do contra. Tem que reclamar e protestar. É de praxe. Porém, não se recusem a estudar. Não invadam o patrimônio público, que não é de vocês, mas sim de todos. Não se apropriem do público.


Querem protestar? Vão para as ruas. Deixem a universidade para quem quer estudar.

Fábio Campos
fabiocampos@opovo.com.br
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