segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Artigo indica que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta o risco de câncer de mama

Com proximidade do Dia Mundial do Câncer (04/02), ONG aproveita para alertar que uma dose de bebida alcoólica já proporciona risco maior de desenvolver essa doença tão temida pela maioria da população feminina

Artigo divulgado pelo CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País sobre o tema, aponta que há evidências consistentes de que mesmo o consumo moderado de álcool, algo em torno de 10 g/dia, aumenta o risco de câncer de mama. A conclusão faz parte de uma revisão da literatura científica sobre o assunto que, com o intuito de comparar os diferentes estudos publicados nesta área, considerou uma dose-padrão de bebida alcoólica como sendo equivalente a
10 g de álcool.

Em uma análise combinada de 53 estudos epidemiológicos (com 58.515 casos de câncer de mama e 95.067 controles), verificou-se que haveria um aumento de 7,1% no risco de desenvolver câncer de mama para cada aumento de 10 gramas no consumo diário de álcool. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma dose de bebida alcoólica contém de 8 a 13 gramas de etanol, o que equivale a 285 ml de cerveja, 120 ml de vinho ou 30 ml de destilado (whisky, vodka ou pinga).

A revisão da literatura sobre o assunto também apontou dados importantes, como:

- Em comparação ao grupo abstêmio (menos de 5g de álcool/dia), as mulheres que consumiam diariamente de 5 a 14 g de álcool apresentaram aumento de 30% no risco de desenvolver câncer de mama, enquanto que aquelas cujo consumo diário era de 15 g de álcool ou mais apresentaram aumento ainda maior deste risco, de 60% (fonte: Nurses Health Study, realizado entre 1980 e 1984, nos Estados Unidos; Willett e colaboradores, N Engl J Med 1987, 316:1174-1180);

- O consumo maior ou igual a 40 g de álcool/dia estava relacionado a um aumento de quase 70% no risco de desenvolver câncer de mama, em comparação ao grupo abstêmio (fonte: meta-análise com dados de seis estudos tipo caso-controle; Howe e colaboradores, Int J Cancer 1991, 47:707-710);

- Tendência dose-dependente linear entre o aumento no risco de desenvolver câncer de mama e maior consumo de álcool, sendo observados aumentos de 32% para o consumo de 35 a 44 g de álcool/dia; e de 46% para consumo igual ou maior que 45 g de álcool/dia, em comparação aos abstêmios. No entanto, não foram observadas diferenças no risco de acordo com os tipos de bebida alcoólica consumida – vinho, cerveja ou destilados (fonte: análise conjunta de seis estudos, realizados em quatro países, com total de 4.035 casos de câncer de mama, com amostra inicial de 322.647 mulheres; Smith-Warner e colaboradores, JAMA 1998, 279:535-540);

- Em 2007, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (International Agency for Research on Cancer) concluiu que havia provas suficientes de que o consumo de 18 g de álcool/dia aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer de mama, e que o consumo igual ou maior que 50 g de álcool/dia aumenta tal risco em cerca de 50%.

No entanto, o mecanismo de ação pelo qual o consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama ainda permanece desconhecido. Atualmente, contudo, há evidências de que o álcool influencia as vias de sinalização do estrógeno, hormônio fortemente associado ao câncer de mama.

*Título: Alcohol consumption and breast cancer risk
Autores: Peter Boyle, Paolo Boffetta
Fonte: PLANIN Worldcom
Autor: Vanessa Cunha
Revisão e Edição: Carlos Alexandre Machado

Fonte: Consumidor RS

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