domingo, 12 de março de 2017

Anvisa autoriza remédio à base de canabidiol para menino com autismo. "Ele é outra criança", diz mãe

O pequeno Mateus, 7, é o primeiro paciente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil a receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento com o óleo de cânhamo RSHO. A autorização do medicamento à base de canabidiol, produzido pela HempMeds Brasil, chega dois anos após a empresa começar a oferecer produtos legais de cannabis medicinal no País.

Mateus começou o tratamento com o do óleo de cânhamo no último dia 13 de janeiro, em Goiânia, onde vive com a família. As melhoras foram sentidas em dez dias de uso, de acordo com a mãe dele, a empresária Cássia Gouveia. "O tempo de atenção dele mudou, ele é outra criança. A agitação diminuiu de forma muito considerável e teve até uma
melhora que eu tinha lido, mas não imaginava, que é da fala", explicou ela, em entrevista ao O POVO Online.

Antes da prescrição do RSHO, Mateus era medicado com psicotrópicos que não estavam surtindo melhoras e ainda traziam efeitos colaterais. "Ele tinha alucinação, distúrbios de sono e alimentação. Não tinha tempo de atenção nenhuma, o que prejudicava na escola", conta a mãe.

A empresária também cita as melhorias de interação social de Mateus com a família e amigos da escola, após o início do tratamento. "Em menos de dez dias, ele já conseguia sentar com o irmão e brincar durante horas, coisa que ele nunca havia feito”, afirma Cássia.

O tratamento com o óleo de cânhamo é contínuo e por tempo determinado. Para Mateus, foi receitada a quantidade inicial de 7,5 ml por dia. Em fevereiro último, a Anvisa autorizou o RSHO para um paciente com Alzheimer. Esse tratamento a base de canabidiol também é utilizado para combater os efeitos da esclerose múltipla e epilepsia refratária, de acordo com a HempMeds Brasil.

Para Cássia, o tratamento bem sucedido de Mateus desmistifica o preconceito associado à substância, tanto da sociedade como de alguns médicos. "O que eu espero é que isso seja passado para todo mundo. As pessoas acham que é uma droga, mas eu não estou drogando meu filho. Estou tratando para que ele se sinta bem e não fique dopado. A maioria dos psicotrópicos acabava dopando”, explica.

Em 2015, a Anvisa liberou a importação de medicamentos à base de canabidiol e THC para qualquer condição clinica que o médico julgar apropriado. A expectativa do CEO da Medical Marijuana, Inc., Dr. Stuart Titus, é que outros brasileiros com autismo tenham acesso ao medicamento.

A HempMeds Brasil é uma subsidiária do grupo americano Medical Marijuana, Inc. e foi a primeira empresa a receber aprovação da Anvisa para importação de medicamentos à base de canabidiol, ou CBD, substância derivada do cânhamo, planta do gênero da cannabis.

FONTE: O POVO

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