quinta-feira, 13 de julho de 2017

Opiniões divergentes. Duas verdades apresentadas sobre problemas ambientais no Cumbe

Um leitor do Aracati em Foco, identificado apenas pela alcunha de "Victor", enviou a nossa redação um texto onde o mesmo fez uma análise sobre a polêmica apresentada em duas versões de duas alas de moradores do Sítio Cumbe e da Canavieira. 

Um Grupo, afirma que o problema da morte do manguezal é devido a própria ação da natureza pois, ao longo das décadas, mesmo antes do
advento da criação de camarão em cativeiro, conhecido por empresas de carcinicultura, tais fenômenos já eram do conhecimento dos mais velhos da comunidade.

De outro lado, defensores ambientais onde, o mais conhecido deles é o professor João Luis (João do Cumbe), lidera um grupo que atribui os desastres ambientais na região justamente as empresas de carcinicultura através de utilização de práticas e manejos de produtos que seriam descartados no leito do rio.

Abaixo, o texto que nos foi enviado reascendendo a discussão sobre tão importante assunto:



          "Acho muito saudável o debate acerca daquilo que se é colocado em questão em relação ao que poderia estar acontecendo para resultar na morte de mangues na região de Cumbe e Canavieira em Aracati. 

           A questão nesse momento é o ecossistema manguezal e sua degradação de um lado pescadores (as) /marisqueiros (as) que sempre viveram do mangue para sua sobrevivência. Do outro estão aqueles que trabalham ou tem familiares que trabalham para as empresas de carcinicultura, esses mesmos defendem os empresários da região dizendo que a morte do mangue não tem relação alguma com a atividade.

           Já aqueles que vem cobrando uma atitude dos órgãos de justiça e de proteção ambiental que em tese deveriam proteger, baseando se em observação sistemática ao decorrer de todos esses anos que a carcinicultura se instalou em nossa região, vê nitidamente a destruição que ela causa. 

           Já tivemos períodos de poucas chuvas que se arrastaram por alguns anos, essa afirmação de alguns que defende a ideia que, a causa é a falta de chuva, caí por terra.

           A outra justificativa é que "a morte é causada pelos próprios pescadores". No mínimo essa pessoa que afirma isso desconhece a história de sua própria comunidade, por muito tempo sempre existiu a coleta dos organismos vivos necessário para subsistência da comunidade no estuário do rio de forma artesanal, e sempre tivemos em abundância tudo que necessitávamos.

           Paralelamente com chegada da carcinicultura veio acontecendo uma série de anormalidades com o Mangue e as espécies, reduzindo drasticamente os mesmos. Só não enxerga quem não quer ver, se alguém na comunidade negar isso é por que é daqueles que se vende por emprego ou tem familiares trabalhando lá.

           Alguém da comunidade falou que os órgãos como SEMACE fiscaliza as atividades. Uma grande mentira. Em um debate que tivemos em uma audiência com represente do órgão, uma das justificativas que ele deu para o problema de fiscalizar era a falta de contingentes para enviar para o campo. De forma irresponsável eles licenciam mais do que pôde fiscalizar isso é crime segundo seu estatuto. Então na minha humilde compreensão existem muitos fatos que deveria ser apurado. 

           Não entrei nem no mérito da água que corre o sério risco de escassez por conta dos poços clandestinos usados para levar água para a carcinicultura.

Obrigado
Aracati, 10 de julho de 2017
Victor

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