terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Chefão do PCC foge do Ceará para São Paulo, é preso e vira suspeito na morte de comparsas

Quatro dias após a morte de dois líderes do PCC no Ceará, outro bandido apontado como um dos principais membros da mesma facção criminosa acabou preso em São Paulo quando fugia de Fortaleza. *Claudiney Rodrigues de Souza, o “Cláudio Boy*”, 36 anos,
morava na Capital cearense usando nome falso e se passando por empresário, no entanto, era caçado pela Polícia Federal em Minas Gerais, acusado de comandar o PCC naquele estado. A fuga do bandido pode ser a primeira pista concreta que a Polícia do Ceará tem para esclarecer a morte dos chefões da quadrilha.

A prisão de “Cláudio Boy” aconteceu na manhã desta segunda-feira (19), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele viajava como passageiro comum, sem tirar os óculos escuros, quando foi abordado por agentes da Polícia Federal ainda no interior da aeronave. O bandido era mais um dos chefões do PCC que escolheu Fortaleza para viver de forma luxuosa, usando documentos falsos e se passando por cidadão.

 Após a aterrissagem da aeronave, o piloto transmitiu uma mensagem via rádio orientando que todos deveriam permanecer em seus lugares, pois uma equipe média faria um atendimento na aeronave. Contudo, quem entrou no avião foram agentes da PF e estes foram direto à poltrona onde o bandido estava sentado. Ele foi algemado e retirado do avião.

Fuga para o Ceará

Segundo a Polícia mineira, “Cláudio Boy” tornou-se o líder do PCC em Belo Horizonte e era caçado também pela Interpol. Veio para Fortaleza foragido de Minas Gerais. A fuga da Capital cearense teria sido apressada diante da descoberta da morte de dois líderes do PCC no último fim de semana.

Temendo ser descoberto em Fortaleza, “Cláudio Boy” tratou de seguir para São Paulo, mas foi localizado pelos agentes da PF no voo que havia saído da Capital cearense na madrugada.

A Polícia local ainda não se pronunciou acerca da prisão do criminoso que estava foragido e morando em Fortaleza à exemplo de Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”; e Fabiano Alves de Sousa, o “Paca”. Os dois últimos foram encontrados mortos na tarde da última sexta-feira (16), em um assentamento indígena denominado Lagoa Encantada – Reserva Kariri-Canindé – em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A morte de “Gegê” e “Paca”, segundo o Ministério Público de São Paulo, pode ter sido uma retaliação da própria facção da qual eles era os principais “cabeças” fora da cadeia. Teriam causado a ira do “número um” da facção, o narcotraficante Marcos Herbas Camacho, o “Marcola”, pela ostentação exagerada de riqueza no Ceará, com a compra de vários imóveis de luxo e uma vida de alto padrão financeiro.

Quem é

Conforme a Polícia de Minas Gerais, “Cláudio Boy” tem contra si, ao menos, sete mandados de prisão preventiva. Um dos responsáveis pelo tráfico internacional de cocaína à serviço do PCC, ele acabou entrando também na lista dos procurados pela Interpol e fugiu da Justiça mineira após a falsificação de documentos. Passou por vários países e veio parar em Fortaleza, onde se fixou assim como os comparsas “Gegê do Mangue” e “Paca”.

Para prendê-lo, a Polícia Federal contou com a colaboração da Agência de Imigração Americana (Immigration And Customs Enforcement/ICE) e de equipes de Inteligência da Polícia Civil de Minas Gerais.

Em Belo Horizonte, “Cláudio Boy”dava apoio a uma quadrilha de traficantes liderada por Ângelo Gonçalves de Miranda Filho, o “Pezão”, que acabou preso junto com seu grupo em outubro de 2011. Desta data em diante, o narcotraficante passou a circular por vários países da América do Sul, traficando cocaína para o PCC, recebendo ordens diretas de “Marcola”, e veio se estabelecer, finalmente, em Fortaleza.

Por Fernando Ribeiro

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