quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Sardanha que conheci quando criança

Morreu nesta terça-feira dia 17/07/18, uma das pessoas mais populares de Jaguaruana no interior do Ceará. "Sardanha" ficará eternizado na mente daqueles que o conheceu e suas histórias. Minha lembrança sobre Sardanha, não somente minhas, mas de todos os garotos da minha época quando tinha entre 10 a 15 anos de idade (ou mais) sempre foi de medo,  do
qual eu corria léguas quando alguém gritava na Rua Santos Dumont "la vem Sardanha!!!!"... E não duvidem que até mesmo adultos tinham medo do que poderia fazer aquele menino quase rapaz, sem camisa, calçados, de trajando apenas um bermudão surrado, rasgado, mal amarrado com uma espécie de cadarço e carregando toda a sua bagagem em apenas um saco grande tipo aqueles de 50 quilos de açúcar...  mas de uma certeza hoje temos. Sardanha nunca fez mal a ninguém.

Sardanha era conhecido por suas histórias enigmaticas. Diziam que ele não falava, não tinha família e nem amigos. Também não aceitava comida de humanos pois sobrevivia se alimentando de insetos, cobras e outros bichos peçonhentos.

Se falava muitas versões sobre o porquê daquele menino--lobo viver daquele jeito. Uma das estorias que contavam era que "sua mãe quando gestante, sempre o amaldiçoava". Somente muitas décadas depois eu soube que Sardanha era natural de Jaguaruna e a principal suspeita de ter levado toda sua vida do jeito que conhecemos teria sido uma tragedtr familiar quando sua mãe e irmãos passaram muita fome, e desesperado, por volta de seus dez anos, resolveu sair pelo "mundo" se alimentado apenas de insetos... Até experimentar cobras e outros bichos dos mais variados.

Deus o receba no reino dos justos, pois, certamente passou por tudo que tinha de passar na terra, e assim, cumpriu sua enigmática missão pois não dá para crer que nosso pai criador tivesse escolhido essa vida para castigar uma inocente crianca até o dia de seu desencarne.

Hoje a certeza que tenho é que Sardanha estava aqui purificando sua alma. Que Deus o receba no paraíso celestial.

Sandro Guimarães

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