sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Parentes das vítimas do incêndio no CT do Flamengo falam sobre os sonhos dos meninos

A tragédia deixou dor e tristeza entre as pessoas mais próximas aos meninos rubro-negros. Entre eles, o sonho de virar jogador profissional era comum.

Por Danilo Vieira, RJ2

O incêndio que deixou 10 atletas mortos e 3 feridos no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento do Flamengo, na Zona Oeste do Rio, deixou arrasadas as famílias dos meninos rubro-negros. Entre eles, o sonho de virar jogador profissional era comum, como contaram parentes e amigos para o RJ2.

Quem são os 10 garotos mortos e os 3 feridos no incêndio no CT do Flamengo
Para Athila Paixão, de 14 anos e morador de um pequeno povoado de Sergipe, no nordeste do país, o maior objetivo era ser jogador do Flamengo.

"Toda noite eu falava com ele. Toda noite. Eu só dormia quando falava com ele. Era um cara que tinha um futuro brilhante pela frente. Um cara novo, com mais de um metro e oitenta, muito habilidoso. Dava gosto ver ele jogando", comentou o pai de Athila Paixão.

Outro que estava muito ansioso na noite antes do incêndio era Arthur Vinicius, que completaria 15 anos no próximo sábado (9). Nascido em Volta Redonda, na Região Sul do Estado, Arthur estava há três anos no Flamengo e considerava que "vivia uma fase incrível", como comentou o primo do atleta, Siderlei Brandão.

"Infelizmente foi uma fatalidade. A gente não esperava, inclusive nesse final de semana ele estava aqui com a gente, feliz e alegre. E nesse retorno dele agora das férias para treinar estava muito feliz. Agora é só entregar pra Deus. Agora ele está com Deus. Infelizmente não podemos fazer nada. Isso aí é só entregar na mão de Deus agora e orar pela família", disse o primo de Arthur Vinicius, jovem zagueiro que foi convocado recentemente para jogar na seleção brasileira sub-15.

O vizinho Luís Silva ainda comentou que o jovem era muito divertido e brincalhão. "O sonho dele era jogar bola. Era um craque. Tinha um futuro brilhante esse menino. É uma perda. A rua inteira tá sofrendo", concluiu.


Goleiro habilidoso, o catarinense Bernardo Pisetta, de 14 anos, defendia o sub-15 do Flamengo desde agosto do ano passado. Antes de chegar ao rubro negro, Bernardo jogou no Atlético Paranaense e em times de futsal do Vale do Itajaí, região nordeste de Santa Catarina.

"Bernardo abdicou de muita coisa para ser um atleta profissional. Bernardo abriu mão de boa parte da adolescência, apesar de ter só 14 anos. Mas desde muito tempo ele vem se dedicando ao esporte, a ser um goleiro de ponta e estava conseguindo. Ele era ciente de que estava só iniciando uma jornada, mas ele tinha potencial e os treinadores falavam que ele chegaria longe. Todos nós sonhamos juntos esse sonho. Mas papai do céu levou ele. Todos nós choramos hoje a perda de um grande atleta apesar da pouca idade", disse o primo Marcelo Lanznaster.

Outro representante de Santa Catarina no grupo era Vitor Isaías, de 14 anos, que antes de vir para o Rio de Janeiro morava em Florianópolis e começou a carreira no time sub-11 de futebol de salão do Figueirense. O atacante habilidoso chegou ao Flamengo pelas mãos do ex-jogador Sávio.

Já o zagueiro Pablo Henrique, de 14 anos, começou a carreira aos 12 anos no Atlético Mineiro e chegou ao Flamengo no ano passado sonhando em seguir os passos do primo, o zagueiro Werley, do Vasco.

"Ele era um bom menino. Fora de campo exemplar. Dentro de campo era um excelente jogador, tinha um futuro muito grande. A gente fica muito emocionado (e chora)", comentou um ex-treinador de Pablo.

g1.globo.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário