quarta-feira, 6 de março de 2019

Em Aracati, bloco Zé Pereira a atração tradicional do carnaval

Foto Kid Junior

Todo sábado de Carnaval, há 13 anos, um bloco de rua tradicional em Aracati é certo. Zé Pereira ganha a Rua Grande e anima os foliões que preferem sair em percurso ao som de marchinhas de Carnaval.

 Neste ano, o bloco homenageou o cearense Dragão do Mar, natural de Aracati, também conhecido como Chico da Matilde. O jangadeiro foi um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil. Em 1874, há 145 anos, Dragão fechou o Porto de Fortaleza para impedir que o tráfico de escravos continuasse pela província. Além dele, a Escola de Samba do Rio de Janeiro Estação Primeira de Mangueira também será celebrada. A razão é simples: ela escolheu da mesma forma o aracatiense para homenagear em seu desfile.

De acordo com a diretora do bloco, Emanuela Brígido, Dragão do Mar "foi um grande abolicionista, pioneiro na abolição da escravatura. E, como a Mangueira lembrou de um aracatiense, por que não agradecer a eles também pela lembrança?", comenta.

De crianças a idosos, o Zé Pereira chama a atenção de quem passa pela Rua Grande. Quer seja pela animação dos foliões, quer seja pelos bonecos gigantes, as lamparinas - que relembram o período em que não havia iluminação na Cidade - não apagam nem com a força da chuva que insiste em cair.

A aposentada Marlúcia Oliveira, de 67 anos, curtiu o sábado vestida do sonho de infância. "Queria ser freira, mas a cabeça não deixava porque eu queria dançar, beber, namorar", revela a mulher que se veste de beata há 10 anos no Carnaval de Aracati. Neste ano, a aposentada trouxe uma boneca gigante apelidada carinhosamente de "mãe”, para que ela continue pelos próximos carnavais, caso ela não venha.

Por outro lado, a cuidadora de idosos Emanuelle Freitas, de 37 anos, apostou no look animalesco. Natural de Aracati, segundo ela, o bloco do Zé Pereira foi criado em homenagem ao seu bisavô, Nogueira Ponciano, carnavalesco famoso no Município e já falecido. A roupa que veste para curtir a folia é justificativa para o próprio empoderamento: "quis exteriorizar o que tem dentro de mim", disse.

 DN

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